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É preciso falar sobre esclerose múltipla

28/08/2020

     

O “Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla” (30/8) chama a atenção da população para essa doença rara e pouco conhecida. Daí a importância de iniciativas e programas de educação capazes de esclarecer e ajudar a identificar precocemente os seus sintomas. A esclerose múltipla é uma doença autoimune e inflamatória do Sistema Nervoso Central, que tem caráter “desmielinizante”, ou seja, a “mielina” do cérebro e da medula espinhal é comprometida e os impulsos nervosos deixam de ser transmitidos para o restante do corpo. 

Os sintomas iniciais podem ser variados: embaçamento visual ou visão dupla; alteração da sensibilidade, como dormência e formigamento no rosto, em um dos membros ou em todo lado do corpo, acompanhado de perda de força nos mesmos locais; desequilíbrio ao caminhar ou perda da coordenação dos movimentos dos braços e pernas e dificuldade de controle da urina e do intestino. O diagnóstico é estabelecido a partir de uma anamnese (entrevista clínica) sobre a forma como ocorreram os primeiros sintomas e o tempo de duração, a melhora espontânea ou não, além de dados importantes sobre a vida dos pacientes (idade, histórico familiar, etnia, entre outros). 

De acordo com o neurologista da Santa Casa BH, Dr. Antônio Pereira Gomes Neto, a doença acomete pessoas mais jovens, entre 15 e 40 anos, e a maioria são mulheres: “o diagnóstico rápido começa por uma adequada e cuidadosa anamnese. A partir daí, é feita a ressonância magnética, os exames de sangue e o exame de líquor – importante no reconhecimento de patologias neurológicas”. 

O conhecimento sobre as doenças imunológicas do Sistema Nervoso, como a esclerose múltipla, avançou significativamente nos últimos anos. “Hoje os diagnósticos são feitos precocemente e com muito mais rigor. As alternativas terapêuticas são inúmeras e pode-se afirmar que os pacientes têm a possibilidade de ter uma ótima qualidade de vida. Eles podem estudar, trabalhar, constituir família, ter atividades de lazer, ainda que seja necessário o acompanhamento médico cuidadoso e permanente”, esclarece Dr. Antônio.

A desinformação sobre a doença é grande, mesmo entre pacientes já diagnosticados. Por outro lado, a busca de tratamento especializado e o acesso às medicações específicas – que no Brasil são distribuídas pelo Ministério da Saúde, através das Secretarias Estaduais de Saúde – são influenciadas em grande medida pela ação da sociedade civil, que cobra dos gestores públicos iniciativas capazes de aumentar a qualidade do tratamento. Só assim, o avanço tecnológico e científico chegará à maioria da população. Esse trabalho deve ser feito pelas associações de pacientes como é o caso da Associação Mineira de Apoio a Pessoas com Esclerose Múltipla (AMAPEM).