Anel de Canabrava

15/04/2015

     
Dr. Sérgio Canabrava (Foto: Almir S. Gomes/GSCBH)
A proximidade entre a medicina e a tecnologia tem colaborado para avanços nos tratamentos de saúde. Na capital mineira, uma importante inovação na área oftalmológica foi desenvolvida na Clínica de Olhos Santa Casa BH.
 
O médico do Centro de Referência de Catarata e Glaucoma da instituição, dr. Sérgio Canabrava, criou o dispositivo “Cana's Ring” ou “Anel de Canabrava” para expandir a íris do paciente no procedimento de retirada da catarata. Segundo o médico, este é o primeiro instrumento oftalmológico do mundo feito em impressora 3D. 
 
O “Anel de Canabrava” foi criado especificamente para pessoas com ‘pupila pequena’ que não dilata em função de condições como diabetes, infecção no olho, uveíte, constituição genética ou idade avançada. De acordo com o dr. Sérgio Canabrava, esse grupo específico de pacientes representa em média 5% do total de cirurgias de catarata no País: “a utilização do anel nesses casos será útil para dar mais segurança ao cirurgião e trazer melhores resultados no tratamento. Atualmente, as cirurgias de catarata com ‘pupila pequena’ utilizam 4 ganchos retratores para dilatá-la, sendo necessário realizar 4 cortes a mais no olho. O diferencial do novo dispositivo é a sua implantação pela mesma incisão utilizada para a retirada da catarata, sem necessidade de novos cortes”. 
 
Simulação mostra como anel expande íris do paciente
(Divulgação GSCBH)
 
Outra vantagem do instrumento criado através de impressão 3D é a redução de custo da cirurgia de catarata com pupila pequena: o ‘Anel de Canabrava’ custa apenas R$ 30. Se for adotado pelo SUS, o acesso da população carente ao procedimento será estendido e oferecido a um número expressivo de hospitais em todo o País. Ainda no primeiro semestre deste ano, dr. Sérgio Canabrava irá apresentar seu pioneiro projeto em um congresso médico nos Estados Unidos. 
 
Para o coordenador do Centro de Referência de Catarata e Glaucoma da Santa Casa BH, dr. Wagner Duarte Batista, o projeto é pioneiro e tem como principais beneficiários as pessoas de baixa renda com essa complicação: “a pesquisa está em sintonia com a filosofia da instituição de aprimorar e qualificar o atendimento aos usuários do SUS. Nesta fase inicial de testes, 10 pessoas receberão o implante”.
 
Realizada na Santa Casa BH, a primeira cirurgia para o implante do anel foi um sucesso. Otacílio Ferreira da Silva, de 69 anos, se orgulha de ser o primeiro a experimentar o novo instrumento: “o procedimento foi tranquilo e o meu pós-operatório está melhor do que o esperado. Não senti dor e após 4 dias de cirurgia estava enxergando cerca de 90%. Antes a minha visão era de 10%. Fiquei receoso no começo, mas estou muito satisfeito com o resultado.”

Dr. Sergio Canabrava e o paciente Otacílio Ferreira da Silva