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Empatia no suporte emocional ao paciente

09/10/2020

     

Escutar, apoiar e aliviar as angústias e tristezas dos pacientes durante a internação. O trabalho da Psicologia Hospitalar vai muito além da queixa e não é uma tarefa fácil. Cada pessoa é única e traz consigo experiências e expectativas diversas, assim como seus familiares. No Grupo Santa Casa BH, 32 psicólogos (sendo 26 funcionários, dois acadêmicos e três residentes) se desdobram para realizar a abordagem terapêutica – sempre com o apoio da equipe multidisciplinar (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, assistentes sociais, nutricionistas e dentistas) – e os relatos são emocionantes. 

Com a pandemia da COVID-19, a equipe da Psicologia também enfrentou seus medos e apreensões e partiu para a guerra de salvar vidas, além de apoiar aqueles que perderam entes queridos. Tudo mudou na rotina desses profissionais e na dos pacientes, principalmente, os internados nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de Isolamento Respiratório. As psicólogas que atuam especificamente neste setor identificam todos os dias – a partir da sinalização dos médicos – os pacientes mais graves e fazem contato telefônico com o familiar de referência, convidando-o para ir ao hospital. Eles são recebidos, paramentados (com máscara N95, gorro, capote e luvas) e entram na UTI, na maioria das vezes, para se despedir. Quando não é possível a visita presencial, por conta do perfil do visitante que pode ser do grupo de risco, são feitas chamadas virtuais. Vale destacar que os pacientes que estão em recuperação também recebem visitas do familiar. 

Dáglia de Sena Costa, psicóloga da UTI de Isolamento Respiratório, conta que são muitas histórias comoventes: “certa vez, o filho de uma paciente que era enfermeiro e sabia que estava perdendo a mãe relatou que o pai queria muito se despedir dela. A videochamada foi feita, a família se reuniu e o esposo agradeceu e entendeu que estava acontecendo ali uma cerimônia de despedida, uma vez que ela não poderia ser velada. Eles fizeram uma oração, falaram o quanto se amavam e, logo depois, ela faleceu. Em alguns casos, são realizadas também visitas virtuais para familiares dos pacientes inconscientes e intubados, porque auxilia no processo de compreensão do adoecimento e do que são os aparelhos, além de melhorar o entendimento das notícias médicas. Isso favorece o processo de luto”.

A humanização do atendimento vai além do apoio ao paciente, engloba também os cuidados com a família e a equipe multidisciplinar. Para uma visita ou videochamada acontecerem, é imprescindível, por exemplo, o apoio da enfermagem e dos fisioterapeutas que preparam os pacientes.  A psicóloga Mônica Toledo destaca o quanto é inspirador acompanhar diariamente a superação de cada paciente: “quando eles são extubados, fazemos videochamadas emocionantes. Preparamos as crianças para ver o papai, a mamãe ou a vovó. Pedimos para a equipe de Fisioterapia assentar o paciente e a de enfermagem para arrumar os cabelos e fazer a barba. Tudo para as famílias terem a melhor impressão. É muito emocionante ver a reação deles. Conseguimos conhecer os bichos de estimação da família e participar dessa comemoração. Já fizemos chamadas virtuais para a Irlanda, Chile, França e para cidades do interior de Minas”. 

A equipe relata o quanto é tocante fazer parte desses momentos. A Psicologia é a intermediária entre a família e a equipe multidisciplinar, que recebe todo o carinho e admiração pelo trabalho. Depois que a instituição começou a liberar a entrada desse familiar, os teleboletins passaram a ser feitos com mais facilidade. “Quando eles percebem que o paciente está sendo bem assistido, ficam mais tranquilos. Os questionamentos passam a ser menos agressivos e mais técnicos. Eles ficam sensibilizados com a nossa batalha. Notei uma empatia com o nosso trabalho, esforço e dedicação. Estou muito feliz por participar da vida dessas pessoas nesse momento tão sofrido. São lembranças que levarei para sempre comigo”, afirma Mônica.