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Histórias da Pandemia: alas das sete mulheres

30/03/2021

     
Ao longo desse primeiro ano de pandemia do novo coronavírus em BH, os profissionais da saúde salvaram milhares de vidas, Mas, por trás desse cenário de guerra contra um inimigo invisível que faz cada vez mais vítimas, existem histórias de pessoas que se dedicam diariamente para ser luz para os pacientes em um momento tão sombrio.

Enquanto médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e técnicos de enfermagem acompanham os casos à beira leito, existe uma equipe empenhada e dedicada atuando nos bastidores e fazendo com que o hospital respiratório da Santa Casa BH não pare. Entre esses profissionais estão sete enfermeiras que, há um ano, coordenam as alas de isolamento da instituição.






Desde o dia 16 de março de 2020, Nayara Damasceno, Alsiney de Souza, Raiane Jacinto, Salma Attoni, Ludmylla Magalhães, Ana Paula Mota e Stefany Lima vivem a rotina de organizar as equipes que atuam no atendimento aos pacientes com COVID-19, acompanhar o dia a dia das  alas de isolamento respiratório em quatro andares e ser uma das pontes entre as decisões da alta gestão da instituição e a linha de frente. Em meio a tudo isso, elas acabam sendo também confidentes, amigas e ponto de apoio dos heróis da saúde.
 
E, à medida que a pandemia se prolonga, elas encaram desafios na vida profissional e na vida pessoal. Raiane precisou adiar o sonho do casamento; Alsiney perdeu entes queridos vítimas de COVID-19; Ludmylla, Ana Paula e Stefany convivem com a preocupação com suas famílias, e Salma e Nayara vivenciam de perto toda a intensidade do que acontece no CTI.

A coordenadora Salma relata que jamais imaginou viver uma pandemia e ainda mais de forma tão intensa como vem sendo. “Após um ano do primeiro paciente admitido, lembro da taquicardia daquele momento. Tudo era desconhecido. Até colocar o capote era tenso. Hoje, apesar de todas as dificuldades e tristezas que vivenciamos, podemos olhar para trás com a certeza de que tudo valeu a pena”.











A seguir, leia o relato escrito por essas sete mulheres fortes:

“A COVID-19 alterou a maneira de viver e trabalhar, trazendo impactos. Em relação à vida profissional, a pandemia marcou uma verdadeira mudança no modelo de trabalho, fazendo com que saíssemos da zona de conforto e que tenhamos que pensar “fora da caixa”, ou seja, correr atrás de novos conhecimentos, buscar ajuda em todos os membros da equipe, pois cada profissional possui o seu papel fundamental na assistência prestada aos nossos pacientes.

Diante disso, estar na linha de frente mostrou que temos que ser capazes de ajudar a sermos fortes e demonstrar confiança e transparência para os nossos funcionários e outros profissionais. Está sendo um grande desenvolvimento pessoal e profissional vivenciar a pandemia e  estar à frente de equipes tão capacitadas e engajadas. Os desafios são diversos e é possível perceber que a empatia com o outro e as parcerias passaram a ter uma importância muito maior.

A COVID-19 transformou também nossa vida pessoal, trouxemos sentimentos como insegurança, angústia, ansiedade e medo de perder e/ou contaminar os amores de nossas vidas: filho, marido, pai, mãe, familiares e amigos. Além disso, existe a incerteza, pois não sabemos quando isso vai terminar.

Por outro lado, a pandemia fez com que nossos valores de cooperação, consideração, empatia e cuidado com o outro ganhassem prioridade e está fortalecendo as relações sociais e profissionais, demostrando o que realmente importa em nossas vidas. Percebemos o quanto precisamos dos outros, de que não podemos e não precisamos dar conta sozinhas, além de ensinar a valorizar ainda mais as pequenas coisas na vida e a nossa liberdade”.





 
Equipe bem alinhada

As alas de isolamento respiratório da Santa Casa BH fazem parte da Alta Complexidade da instituição. À frente desta área fundamental da instituição está a enfermeira Raquel Brant que lidera com dedicação, pulso firme e afeto uma equipe com centenas de profissionais em um dos momentos mais tensos da saúde mundial.

Mesmo estando grávida durante parte do primeiro ano de pandemia e trabalhando de maneira remota, Raquel reúne diariamente com as coordenadoras para analisar a situação das alas, resolver os desafios que aparecem durante a luta contra a COVID-19 e, também, ser uma referência tanto para esclarecer dúvidas, quanto para apoiar sua equipe. Uma profissional que vem fazendo a diferença na batalha pela vida.