Todo cuidado é pouco

25/06/2014

     
Dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (Isaps) apontam o Brasil em 2° lugar no ranking internacional de países que mais realizam cirurgias plásticas, ficando atrás somente dos EUA . Na última pesquisa realizada pela instituição, foram registrados mais de 900 mil
procedimentos em apenas um ano, representando um crescimento de 97,2% entre 2008 e 2011.
 
As cirurgias mais populares no Brasil são a lipoaspiração (211 mil), aumento das mamas (148 mil), abdominoplastia (retirada de excesso de gordura do abdômen – 95 mil), blefaroplastia (retirada de excesso de pele nas pálpebras - 90 mil) e redução das mamas (66 mil). Em alguns outros procedimentos, o país é líder mundial em número de operações: otoplastia (correção de orelhas de abano – 28 mil), aumento dos lábios (sem materiais injetáveis - 23,3 mil), gluteoplastia (próteses nas nádegas – 21,4 mil), ginecomastia (diminuição de mama masculina – 22,9 mil) e rejuvenescimento vaginal (9 mil).
 
A maioria das cirurgias plásticas é motivada por motivos estéticos mas, de acordo com o cirurgião e preceptor do programa de Residência Médica em Cirurgia Plástica da Santa Casa BH, dr. Maurício José de Oliveira, os procedimentos muitas vezes são reparadores: “a estética leva em consideração o interesse de uma pessoa, que goza de boa saúde, em melhorar a própria aparência. A reparadora ameniza ou resolve, por exemplo, problemas congênitos como lábio leporino, sindactilia (união de dois ou mais dedos) ou promove correções após cirurgias bariátricas”. 
 
O interesse por procedimentos estéticos está cada vez mais popular, principalmente pela disponibilidade de informações sobre o assunto na internet. A avaliação da realização ou não da cirurgia, entretanto, deve ser feita por um médico que, após consultas e exames, irá atestar se a cirurgia é recomendada ou não para determinado paciente. No período pós-operatório, ele deve ficar atento aos medicamentos indicados e às orientações médicas para recuperação e retorno à mobilidade e condição de saúde ideal.
 
O Brasil também está bem posicionado quanto ao número de cirurgiões plásticos credenciados. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica(SBCP) apontam que são mais de 5 mil médicos, cerca de 16% de todo o mundo. Para o dr. Maurício Oliveira, os profissionais são qualificados, mas é preciso estar atento quanto à escolha. “A SBCP e os programas de residência médica nesta especialização são muito exigentes. Para ser cirurgião plástico são exigidos 2 anos de cirurgia geral e mais 3 anos de residência em cirurgia plástica. Para escolher um médico, é importante verificar sua formação e se ele é credenciado e aprovado pela SBCP. Pela internet, é possível fazer isso”, recomendou.
 
Dr. Maurício Oliveira avalia o crescimento dos números como uma característica da atual sociedade brasileira, marcadamente voltada à estetização. “A procura por cirurgias estéticas tem relação com a época em que vivemos, um mundo visual no qual as pessoas se importam muito com a própria aparência. Pela internet, elas dispõem de vasta gama de informações e imagens sobre cirurgias plásticas. É muito comum o paciente chegar ao consultório depois de pesquisar o assunto na rede mundial. Mas cada caso é um caso e ele deve estar ciente disso”, alertou o cirurgião.