Atualizado em: 08/10/2026 – 17:10:22
Neste mês, a Santa Casa BH completa três anos desde a realização de seu primeiro implante coclear. Desde o início do serviço, em outubro de 2023, a instituição já realizou o procedimento em 53 pacientes, entre crianças e adultos.
O implante coclear pode ser uma alternativa para pessoas com perda auditiva grave que já não obtêm benefício suficiente com aparelhos auditivos convencionais. Referência no atendimento 100% SUS em saúde auditiva em Minas Gerais, a Santa Casa BH oferece acompanhamento desde a avaliação médica e fonoaudiológica até a cirurgia, ativação do dispositivo e reabilitação.
No Brasil, aproximadamente 5,8 milhões de pessoas têm algum grau de surdez, segundo o Ministério da Saúde. Dados do Censo 2022 do IBGE mostram ainda que cerca de 2,5 milhões de brasileiros têm muita dificuldade ou não conseguem ouvir, mesmo com o uso de aparelho auditivo.
Quem pode receber o implante coclear?
Diferentemente do aparelho auditivo convencional, que amplifica os sons, o implante coclear estimula diretamente o nervo auditivo. A indicação depende de avaliação especializada e pode beneficiar principalmente pessoas com perda auditiva neurossensorial severa ou profunda.
“O implante coclear não é indicado apenas pelo resultado de um exame. Avaliamos o tipo e o grau da perda auditiva, a compreensão da fala, o benefício obtido com o aparelho auditivo e o histórico de cada paciente. A indicação é individualizada”,
explica a chefe do Serviço de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Santa Casa BH, Dra. Mirian Cabral.
Implante devolve autonomia a paciente de Itabira
Entre os pacientes atendidos está Rosilene Oliveira, de 58 anos, moradora de Itabira. Ela começou a perceber a perda auditiva por volta dos 40 anos e utilizou aparelhos nos dois ouvidos durante cerca de oito anos. Com o avanço da perda, porém, os dispositivos deixaram de ser suficientes.
A dificuldade passou a interferir no trabalho, na convivência com a família e em atividades simples. Rosilene já não conseguia falar ao telefone, acompanhava a televisão apenas por legendas e, quando não conseguia fazer leitura labial, precisava pedir que as pessoas escrevessem. Nos sete meses anteriores ao tratamento, conta que não conseguia ouvir sequer uma palavra.
Encaminhada pela rede pública de saúde, ela passou por avaliações na Santa Casa BH e recebeu o implante coclear em 14 de agosto de 2026.
“Foi maravilhoso. É até difícil descrever. Voltei a ouvir a voz das minhas netinhas, músicas e os sons ao meu redor. Mudou tudo”, conta.
Como ter acesso pelo SUS
O paciente deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e, após avaliação, pode ser encaminhado para um serviço especializado em saúde auditiva. Quando há indicação para avaliação de implante coclear, o encaminhamento para a Santa Casa BH ocorre dentro do fluxo de regulação do SUS.
Tratamento não termina na cirurgia
Após o procedimento, o dispositivo é ativado e programado de acordo com a resposta de cada paciente, que também segue em acompanhamento fonoaudiológico.
“A ativação, as programações e a reabilitação fazem parte do tratamento. O acompanhamento da equipe, assim como o envolvimento do paciente e da família, é fundamental para os resultados”, explica a fonoaudióloga da Santa Casa BH, Joana Pires.
Para ela, os três anos do serviço representam a ampliação do acesso ao tratamento pelo SUS.
“Hoje, temos crianças e adultos implantados e acompanhados pela nossa equipe. Cada procedimento representa uma possibilidade de melhorar a comunicação, a autonomia e a qualidade de vida desses pacientes”, conclui.






